Archive for junho, 2010
Prof. Roney Signorini – Consultor Educacional
roneysignorini@ig.com.br
Integrei por seis anos o Conselho Fiscal da CET, em São Paulo.
No período, acompanhei todos os esforços da Companhia buscando a implantação de Qualidade, a da reserva endógena mas que pudesse ser extensiva à toda a cidade , trabalho delicado e dedicado de experts, exitoso na consecução em outras empresas. De todas as medidas, dentro de um plano traçado, restou um expediente que nunca conseguiu ser superado, ainda que o empenho para a sinalização semafórica, sinalização horizontal e vertical, placas, zona azul, etc. etc., consumissem cada vez mais os minguados recursos que a Prefeitura disponibilizava. Mas o que não deu tanto certo como o desejado, o esperado ? Simples, porque a população não considerava tais medidas como a de quem buscava Qualidade mas sim a possibilidade de trafegar sem vigilância, sem a presença “antipática” dos marronzinhos a aplicar multas. Conforme a cultural política da impunidade. Sem multas, aí sim a empresa teria Qualidade pois contrariar interesse é inimigo feito.
Invadindo outro cenário, o da educação, o que o tomador desse serviço reputa como Qualidade se o que ele busca é aprioristicamente o diploma e não o conhecimento, o aprendizado, para enfrentar o dificílimo mercado de trabalho ? Só ele não sabe disso.

Antonio Luiz Mendes de Almeida
Prof. Antonio Luiz Mendes de Almeida
Em época de eleições (a cada dois anos, fartura democrática…) os candidatos, encarapitados nos palanques ou maquiados na tela, fazem, com ênfase, a promessa repetida de que a educação será a prioridade primeira, urgente, urgentíssima de seu governo. Lorota cruel porque jamais se concretizam as palavras proferidas no tom estudado, caras e bocas, com laivos de emoção e ardor falsos. Sabemos todos que não interessa aos políticos um povo educado porque a população saberia votar, discernir projetos, verificar a veracidade do alardeado, fiscalizar, distinguir o honesto do corrupto.
Sabemos também que a maioria dos parlamentares estudou em colégios particulares bem como seus filhos e netos. Aliás, deveria ser obrigatório que a prole dos políticos cursasse escolas públicas e todos os familiares fossem tratados na rede do SUS. Assim, não causa espécie, já que rotina, que o corte maior de recursos tenha recaído, exatamente, sobre a educação. Alguém tinha dúvidas de que isto aconteceria, justamente no momento em que se divulga que há vagas no mercado de trabalho, mas não existem candidatos qualificados por falta de escolas profissionalizantes, como assinalei na semana anterior?
Gustavo Ioschpe
Economista, especialista em educação
Fonte : VEJA.Com
Educação e capitalismo: aliados ou inimigos?
“Esperando pela revolução social, abandonamos a possibilidade da revolução mais maravilhosa que existe: a que se dá pelo conhecimento. Silenciosa e pacífica, é a verdadeira redentora: perto de dominar a eternidade representada pelo saber, desapropriar uma fábrica ou fazenda parece brincadeira de criança”
Virou consenso no Brasil associar o nosso fracasso educacional com as maquinações do sistema capitalista/neoliberal. Segundo essa leitura, calcada em Marx, interessaria aos “poderosos”, à “elite”, que o proletariado não fosse instruído ou, no máximo, recebesse uma educação totalmente “alienante”, para que não questionasse suas mazelas nem incomodasse o status quo e apenas continuasse fornecendo sua mão-de-obra barata para a manutenção do sistema. Essa leitura da situação se tornou absolutamente hegemônica: vai da imprensa à academia, dos mais louvados pensadores do tema à correspondência enviada a este articulista por professores dos grotões do Brasil. Vejamos alguns exemplos.






