Prof. Roney Signorini – Consultor Educacional
roneysignorini@ig.com.br

Entre janeiro e fevereiro o noticiário sobre o setor da educação rareia levando os plantonistas da mídia na busca de assuntos nem sempre pautados com a chancela de “importante”.
Está sendo mais uma vez o caso de 2010 quando restou alguma notícia sobre o ENADE e o dragão de uma só cabeça, o ENEM, eventos que se arrastaram com hilariantes acidentes de percursos. A da falha que afetou 915 redações no Enem mais a aloprada publicação dos resultados, com uma autêntica via cruxis
para escolha de matrículas, foi surrealista. Picasso e Miró foram rebaixados.

Assim, manteve-se as editorias em pé com material “frio” e atemporal, que deixou certo estarrecimento e perplexidade aos governos dos três níveis pelas informações reveladas.
São de abalar fundações de pirâmides egípcias se interpretadas pelos resultados e conseqüências, mediatas ou não.
Uma delas, a de 19 de janeiro, pela FOLHA, dizia que 6% das vagas no 1º ano não são preenchidas e que em cursos que não são da área de formação de professores o índice cai para 3,5%, desastrosamente. E o contribuinte continuando a pagar as contas nas públicas, pela ociosidade. Ou seja, faltam professores com formação adequada no ensino básico e sobram vagas nas IES públicas em cursos de pedagogia e licenciaturas diversas, demandas e ofertas com desajustes. No ano de 2008 restaram absurdas 4.468 vagas sem preenchimento nos seletivos públicos. Em breve a sociedade enfrentará problema gigantesco com a falta de docentes, chegando ao cúmulo de ter que pagar para estimular a carreira. Estudantes ingressarão pelas licenciaturas desde que sejam remunerados. É uma alternativa. Prova irrefutável da fugas às licenciaturas nos chegou por G.Dimenstein ao afirmar que apenas 2% dos estudantes do ensino médio querem ser professores e que esse fato mostra que a profissão de professor está em baixa, diria até desmoralizada. E, o pior dos dados: os futuros professores são recrutados entre os alunos com as piores notas e que quase 90% são de escolas públicas. Portanto, opção de quem não tem opção.

Quem sabe por isso, no Enem, as licenciaturas tiveram a menor nota de corte quando dos cem cursos com as notas mais baixas, 75 são os que formam professores, como física e matemática. Na Finlândia, os futuros docentes são selecionados entre os 10% melhores alunos do ensino médio.

No dia 20 de janeiro, pelo ESTADÃO, outra notícia escabrosa dando conta que o país logrou o 88º em ranking de ensino mundial do qual participam 128 países avaliados pela UNESCO.
À nossa frente estão Cuba, Argentina, Uruguai, Chile, México, Venezuela, Panamá e Peru, dentro outros. Depois do Brasil estão o Suriname, El Salvador, Guatemala e Nicarágua.
Embora tivéssemos melhorado quando ao Índice de Desenvolvimento Humano ( IDH ) não ocorreu melhora mostrada no Índice de Desenvolvimento Educacional ( IDE ), com resultado 0,883 — a nota varia de 0 a 1 — daí a posição 88º. Para se ter idéia do descalabro, quando se analisa o índice que calcula quantas crianças que entram na 1ª. Série do fundamental concluem a 5ª. Série, o País cai para 0,756, uma ruína.
E não poderia ser diferente quando mais de 17,8 mil escolas não têm energia elétrica e só 37% possuem bibliotecas.
No mesmo dia 20, também no ESTADÃO, um “exocet” para a sociedade informando que 18% dos jovens não estudam, conforme o Ipea, na faixa dos 15 e 17 anos, sob o motivo de trabalho para eles e gravidez precoce para elas.

E às ruins juntou-se a pior, a péssima notícia de que dos 182 mil professores temporários que fizeram em dezembro a prova de seleção do governo paulista, 48,4% , ou 88 mil, não alcançaram a nota 5, a mínima para lecionar. E o índice pode ter sido pior já que até 20% da nota final vêm de uma pontuação recebida pelos anos de serviço na rede. E o ápice do tresloucamento: o secretário do Estado da Educação admite que tais docentes reprovados poderão dar aulas na rede em 2010.

Enquanto notícias nada abonadoras permeiam pela mídia vem uma muito boa estampada no VALOR ECÔNOMICO de que os cursos técnicos respondem por 10% do ensino médio. Ou seja, em 2001 o Brasil contabilizava 462,2 mil matrículas no ciclo profissional, representando só 5% dos 8,398 milhões de alunos no nível médio regular — com pico de 9,169 milhões de matriculados em 2004 — em 2009 fechamos a conta com 861,1 mil estudantes. Isso significa uma participação e expansão de 10% na taxa de matrículas do ensino médio ( 8,337 milhões ), de acordo com o Inep. É realmente auspiciosa e surpreendente a demanda do mercado de trabalho pelos técnicos formados em
algum dos 185 cursos, distribuídos por 12 eixos com características científicas e tecnológicas.

Para arrematar, a notícia vem do Rio de Janeiro onde pesquisa mostra que 95% não sabem se vão concluir os estudos e portanto só 5% dos alunos da rede pública estadual têm certeza de que vão concluir o ensino médio.

Por Marcos Facó*

Uma pesquisa da escola de administração de Stanford revela que não é apenas o conteúdo da comunicação que é importante, mas o contexto é também fundamental para uma melhor persuasão.

Alguns pesquisadores descobriram que as mensagens são percebidas como mais poderosas quando são precedidas por outras que parecem ter relativamente menos substância, ou vir de porta-vozes com relativamente menor credibilidade. Em outras palavras, se você quiser que sua mensagem pareça particularmente boa, coloque-a depois de alguma não tão boa. É como ter um ato de abertura que define o nível de qualidade para baixo, fazendo com que o evento principal pareça muito melhor em comparação.

Em dois artigos publicados em 2007, Zakary Tormala, professor associado de marketing na escola de administração de Stanford, e os coautores Richard Petty, da Universidade de Ohio, e Joshua Clarkson, da Universidade de Indiana, detalharam os resultados de seis estudos que eles conduziram, sobre a forma como o contexto em que uma mensagem aparece afeta a sua influência e credibilidade percebida.

Os estudos foram realizados com alunos de graduação nas universidades de Ohio e Indiana. Na primeira série dos estudos, todos os alunos leram um informe publicitário de uma hipotética loja de departamentos chamada Brown, que apresentava alguns detalhes dos seus departamentos. Antes disso, os alunos tinham lido uma descrição da loja de departamentos Smith, sobre o novo carro Mini Cooper ou um resumo biográfico de um estudante universitário hipotético.

Em todos os casos, a percepção dos alunos sobre a descrição da loja de departamentos Brown foi significativamente afetada pela natureza da mensagem anterior. Quando a primeira mensagem era mais frágil, oferecendo menos fatos de suporte e/ou apoio do que a mensagem da Brown, os estudantes avaliaram a loja de departamentos “Brown” em termos mais positivos. Tormala considera que a segunda mensagem foi vista como mais convincente quando a primeira continha relativamente menos informações.

O que é particularmente significativo é que não importa se a primeira mensagem era relacionada com a segunda ou completamente independente, como no caso do carro ou do resumo biográfico. Simplesmente ser precedida por uma mensagem menos informativa fez a loja de departamentos Brown ser percebida como melhor. Inversamente, quando as descrições anteriores continham mais informação do que a mensagem da Brown, a avaliação da loja piorou.

Com menos informações sobre os primeiros itens, os participantes tinham a sensação de que sabiam mais sobre Brown. Tormala explica que, quando as pessoas pensavam que tinham mais informações favoráveis sobre a Brown elas gostavam mais da loja, embora a quantidade real de informação disponível não tenha sido alterada.

Uma segunda série de estudos analisou como outra variável, a credibilidade das fontes, afetou a capacidade de persuasão de uma mensagem. Nesses estudos, os alunos foram levados a crer que a sua universidade estava pensando em implementar exames abrangentes como condição para se formar. Todos os participantes receberam uma sugestão sobre a mudança anunciada, dizendo que ela foi escrita por alguém que normalmente seria percebido como moderadamente crível, um professor universitário local.

Anteriormente, os alunos tinham lido outra mensagem diferente sobre o apoio a uma nova política que exigia a prestação de serviços à comunidade do campus. Os pesquisadores disseram para alguns alunos que essa mensagem foi escrita por alguém com baixa credibilidade, um estudante de 14 anos, enquanto disseram para outros que a mensagem foi escrita por alguém de grande credibilidade, um professor de Princeton.

Os participantes responderam mais favoravelmente à segunda mensagem sobre o exame abrangente, supostamente escrita pelo professor universitário, quando foram informados de que a fonte da primeira mensagem que leram foi escrita pelo menos crível aluno de 14 anos de idade em vez do mais crível professor de Princeton. Segundo Tormala, esse resultado se compara aos dos primeiros estudos. Quando uma mensagem moderadamente crível é precedida por uma menos crível, ela parece ser mais convincente.

Essa pesquisa sugere que pensar na adaptação do contexto da mensagem das campanhas de publicidade é tão importante quanto pensar sobre o conteúdo. Os publicitários, por exemplo, podem querer veicular os seus comerciais de TV depois de algo relativamente mais insípido.

Tormala ainda sugere que os anunciantes podem até dar um passo mais radical e considerar a compra do anúncio anterior, e preenchê-lo com uma mensagem menos convincente para uma marca ou produto diferente. O anúncio veiculado na sequência de um anúncio pouco atraente, para qualquer produto ou marca, ajuda o mesmo a parecer mais persuasivo.

Tal lubrificante para a roda da persuasão, como Tormala argumenta, não deve ser visto como manipulador. A informação dessa pesquisa pode ser usada para vender produtos, promover um candidato político ou importantes mensagens sobre saúde, tornando a comunicação mais efetiva.

* Marcos Facó é Superintendente de Marketing da Fundação Getulio Vargas – FGV, Mestre em Administração pela FGV, MBA em Marketing pela PUC-RJ, Pós-graduação na Ecolé Polytecnique Fedéralè de Lausanne – Suíça, formado em arquitetura e engenharia civil pelo Mackenzie, e é co-autor do livro Marketing Educacional.

Valmor Bolan

Valmor Bolan

Prof. Dr. Valmor Bolan*

Este artigo visa chamar a atenção do leitor para o Decreto presidencial a respeito dos direitos humanos, que apresenta propostas agressivas, que atingem crenças sociais fortíssimas, como a rejeição ao aborto e a valorização de imagens religiosas em locais públicos e privados.

Cresce a apreensão, com protestos de vários segmentos da sociedade brasileira, por causa do Plano Nacional de Direitos Humanos, com decreto assinado pelo Presidente da República, às vésperas do Natal, que já está sendo chamado de “AI-5 do Lula”. Na verdade, um balaio de gatos, com temas controversos num único pacote, mas o que mais chamou a atenção foi a forma com que o governo federal, revelou finalmente a disposição em implantar um socialismo de araque no Brasil, de modo sofisticado e sutil, com eufemismos e utilizando a própria “democracia” para fazer o que um grupo de saudosistas “esquerdistas” radicais quiseram empreender via guerrilha, e não conseguiram, agora ameaçam tomar de vez o Estado brasileiro, pela astúcia e retórica, mas por ações que visam minar a própria democracia, num processo gramsciano, de inoculação do veneno pseudo-socialista, a conta gotas, por meio das instituições e organizações sociais. “Estilhaçou-se, aqui e no exterior, a imagem do presidente da República. – afirmou o jornalista Carlos Alberto Di Franco – O líder equilibrado e respeitado vai, aos poucos, sucumbindo aos apelos do radicalismo ideológico.” E acrescentou que “o projeto do Presidente da República e de sua candidata à sucessão presidencial, Dilma Rousseff, reduz o papel do Congresso Nacional, desqualifica o Poder Judiciário, agride gravemente o direito de propriedade, sugere o controle governamental dos meios de comunicação e sujeita a pesquisa científica e tecnológica a critérios estritamente ideológicos.” Particularmente entendo que o Lula não é socialista. Tem-se revelado um governante pragmático, procurando agradar a todas as alas ideológicas do governo e da sociedade, cada uma há seu tempo e de acordo com as circunstâncias.

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